Competências Emocionais X Técnicas

Cada vez mais os aspectos comportamentais norteiam as pesquisas sobre falhas na liderança e demissões. Afinal, por que líderes com grande capacidade intelectual falham no relacionamento com as pessoas? Os indicativos mostram que o autoconhecimento é fundamental para melhorar os resultados com as pessoas. Um líder “surdo”, emocionalmente, dificilmente consegue manter a equipe engajada com um discurso do tipo “faça o que eu mando e não o que eu faço”.

O temperamento é parte importante na carreira de qualquer profissional. Não é à toa que a maioria das demissões é motivada por fatores comportamentais. No entanto, percebe-se uma carência na formação acadêmica, especialmente entre profissionais oriundos das áreas técnicas, tais como contabilidade e engenharia, por exemplo.

Esses profissionais tendem a supervalorizar a compreensão racional e objetiva da realidade e acabam transferindo essa concepção também para o relacionamento com as pessoas. No entanto, é imprescindível que o ser humano seja tratado de forma integral, ou seja, com perspectivas de ordem racional, emocional, física, social e espiritual.

Diante dessas constatações, fica evidente o porquê das frustrações desses profissionais no que diz respeito ao relacionamento humano. Ao tentarem interagir com outras pessoas usando basicamente seu senso racional, entendem que todos agiriam da mesma forma, e acabam percebendo que existem muitas variáveis de abordagem além desta. As emoções e os aspectos subjetivos fazem parte da natureza humana.

Basta que se experimente comunicar aos colegas de trabalho alguma implementação de mudanças nos procedimentos, que ficará evidente a diferente reação de cada um. O mesmo serve para os filhos. Uma ideia idêntica sugerida pelos pais pode motivar um e desmotivar o outro…

Daí a importância de procurarmos nos conhecer melhor, facilitando para todos a compreensão do ser humano integral. Além disso, percebemos, também, por que na atualidade as emoções estão altamente valorizadas nas empresas de ponta, adquirindo grande importância nos questionários de avaliação.

Ricardo Castello Branco

Núcleo de Gestão e Pessoas