Artigo: Quem disse que precisamos dar conta de tudo?

Somos atravessados diariamente pelas cobranças de uma sociedade moderna. Vivemos na era do consumismo exacerbado, dos pensamentos rápidos, da falta de flexibilidade com os relacionamentos afetivos (ocasionando a troca de parceiros em um curto espaço de tempo), do “ter” para “ser”, da falta de humanização nas organizações, baixa autoestima, afetados por este contexto todo. Mas com todos esses prejuízos causados por essa nova era, seria possível a saúde mental não ter impactos?

Percebemos cada dia mais, nos consultórios de psicologia, pessoas adoecendo pelo excesso de autocobrança, sofrimentos por antecipação, dificuldades em dormir, compulsões alimentares, baixo limiar de frustrações, devido a ansiedade e cobrança que o social exige em termos uma vida perfeita perante as redes sociais, rodas de amigos e reuniões familiares.

Aprendemos a dar conta de tudo e todos! Exigimos ser o melhor profissional, esposa/marido, filho(a), dona de casa, amigo(a), estudante. Mas, até que ponto conseguimos sustentar essa fantasia? Até adoecer?

A contrapartida da ansiedade é a proatividade, fazemos muito e tudo ao mesmo tempo. Quantas vezes você já sentou com o seu filho para brincar (fazendo um imenso esforço, pois estava preocupado com os demais afazeres) e percebeu que apenas o seu corpo estava ali presente? E sua mente, onde estava?

Vivemos com o pisca alerta ligado. A ansiedade tem justamente essa característica, o medo do que pode acontecer. Por isso, o ansioso pensa em mil possibilidades de situações e sofre por não ter o controle dos acontecimentos. Porém, quando a ansiedade vai tomando proporções maiores, pode desenvolver outras patologias, como: depressão, TOC, ansiedade generalizada, síndrome do pânico, entre outros. A ansiedade é apenas a porta de entrada para transtornos ainda maiores.

O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população. Dentro deste contexto, o que nós podemos fazer para mudarmos essa realidade?

Somos convocados a construir um novo olhar perante a todas essas questões. Quando nos aceitarmos, frente às nossas qualidades e fragilidades, o contexto se altera, podendo gerar uma diminuição dessa cobrança e consequentemente da ansiedade. Mas não existe uma fórmula mágica. Você precisará descobrir o seu próprio jeito para mudar seu olhar. Até porque, ela deve estar relacionada com outras questões, muitas vezes inconscientes.

A psicoterapia vem justamente a esse encontro, possibilitando um autoconhecimento maior, trabalhando as possibilidades de melhora, quebrando paradigmas, avaliando o contexto sob outra ótica. Se perceber que precisa de ajuda, não hesite em procurar um bom psicólogo, certamente o caminho será facilitado ao seu encontro com o seu “eu”!

Se eu não sei quem eu sou, posso responsabilizar os outros pelo rumo da minha vida. Mas quando eu sei, eu decido como agir, como pensar, como me posicionar! Isso faz toda a diferença!

Autora: Fernanda Rocha, psicóloga, consultora de carreira e palestrante.